Morar em república "é o bicho"! Quem morou ou mora sabe disso. Pessoas em baixo de um mesmo teto que vieram de lugares diferentes, com opções diferentes, de política, religião e a até sexual. Com educação e valores diferentes que se tornam estopins de conflitos.
Com o tempo e muitos "pégas" aprendi que as pessoas são como caminhos. As vezes estão ótimos, em perfeito estado de conservação, tipo rodovia pedagiada. Outras, com muitos buracos, sem acostamento e sem sinalização!
Na convivência da república é parecido. Só de pensar, em ter que procurar um outro lugar pra morar, ou de ficar sem uma colaboradora para dividir o aluguel no final do mês, dá um frio na barriga! É uma preocupação que não queremos e não precisamos. Então, diminuímos a velocidade, contornamos, encontramos rotas alternativas. Solucionamos conflitos, abrimos mão de algo, muitas vezes é preciso colocar o orgulho no baú, para que se possa seguir sem estragar o "carro". Não, que se deva concordar e aceitar qualquer situação mas saber o que e quando falar.
Quando estamos seguindo por eles, sempre temos a opção de desviar, escolher outra rota ou apenas diminuir a velocidade e passar com cautela, bem devagarinho pois sabemos onde a velocidade deve ser diminuída para não danificar nosso carrinho, onde exatamente parar e tomar uma rota alternativa.
Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos. (Provérbios 27:5-6)
Isso, eu exponho com experiência. Morei com gente doida, gente maluca, (eu também era, talvez ainda seja) gente que na época eu me questionava se eram mesmo seres humanos e cada uma delas me moldou em alguma coisa. E, todas juntas me ensinaram que parar, diminuir ou refazer o caminho é possível, menos complicado, evita-se perca de tempo, de amigos e de vida. Se sabemos que determinada frase ou até mesmo uma palavra irá desencadear um congestionamento, porque não parar? É claro, que sentimos vontade de abandonar a estrada, deixar o mato tomar conta! Só que quem vai perder somos nós, que deixamos de ter mais uma rota em nossas vidas, pois o caminho, continuará lá, sem entender porque ninguém mais passa nele.
Mesmo que eu não dê a manutenção que gostaria, mesmo que a paisagem mude, são caminhos que estão transitáveis. É chato recordar de alguns que abandonei. Que o mato tomou conta.

